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CONJURAÇÃO MINEIRA – JOÃO CÂMARA

Mediante litografias sobre a Conjuração Mineira, o criador pernambucano João Câmara ressignifica o episódio histórico passado ao tempo presente.

Pelo inanimado corpo do poeta Cláudio Manoel da Costa estendido no chão da Casa dos Contos (Ouro Preto) e o enforcamento de Tiradentes, retoma o tema da resistência opressora do poder oficial, supressora da liberdade que ainda, séculos depois, no período da ditadura militar instaurada em 1964, em sentido similar tortura até a morte o jornalista Wladimir Herzog sob a pretextada visão oficial de suicídio, na convicção popular assassinato.

Provido de narrativa linear, Câmara alterna instantes de tensão, humor e farsa, numa simultaneidade de tempos, enfocando o tema da indústria nacional, do ouro na expectação da riqueza, no século XX exemplificada na ambição da mineração em Serra Pelada e no trágico rompimento das barragens em Mariana que resulto em desastre ambiental sem precedentes no Brasil.

De singular estrutura narrativa, este conjunto de sete litografias: 1. Sacrifício da Indústria Nacional, 2. Conjura, 3. Pregação de Tiradentes, 4. Morte de CMC [Cláudio Manoel da Costa], 5. Farsa, 6. Forca e 7. O corpo: alusivas ao painel do artista no Panteão da Pátria (Brasília) que, tal o painel “Tiradentes” de Cândido Portinari, é um grandioso mural do maior acontecimento histórico de Minas Gerais.

Impregnadas de fervor patriótico e emoção imaginadas à luz da história, as imagens traduzem a liberdade do criador que, não sendo historiador, tampouco cientista político, se ateve ao jogo dos valores e às qualidades plásticas mediante forte simbolismo sinalizador dos passos dos acontecimentos dramatizados.

Abrindo a narrativa, a roca tece a trama, o serrote e o machado anunciam o terrorismo do esquartejamento, a cobra aponta a traição. Pela chama da lamparina atesta-se a evolução da Conjuração Mineira e o agravamento das tensões, os momentos de euforia ou de melancolia conforme o desenrolar da história.

Assim… testemunhamos, nas litografias de João Câmara, uma travessia de saber da História do Brasil, ponderando que também se aprende história nos espaços externos à escola e longe dos tratados canônicos.

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