ADORAÇÃO

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Laura Assis

O pulso ainda pulsava
A carne ainda inflamava
Tudo ao meu redor se tornava deserto
No momento em que meu sono era desperto

O pulso ainda pulsava
A lágrima se derramava
Nada mais era como tinha sido antes
Nem mesmo meu sorriso triunfante

A unha ainda rasgava
A pele que eu habitava
Tudo ao meu redor agora estava morto
Desde o momento em que meus pés tocaram o porto

A pele que eu ainda habitava
Um choro agoniado e triste chorava
Agora nem mesmo meu sorriso era o bastante
Eu andava com os dois pés em um fino barbante

A lágrima ainda derramava
O líquido que minha boca salgava
O vento carregou tudo o que um dia foi
E trouxe de volta tudo o que veio depois

O pulso ainda pulsava
Mas lágrimas não derramava
E a unha não mais rasgava
A pele que o amor habitava

E este amor era a chave da porta
Que me fazia refém de uma vida toda torta
Agora o meu sorriso era mais que o suficiente
Era lindo como um raio de sol nascente

Nenhum triste choro chorava
E mais forte o pulso pulsava
A dramática e astuta modificação
Mudou tudo, até meu coração

O céu se transformou, se abriu em flor
E eu transbordei felicidade e amor
Mais forte agora o pulso pulsava
Porque no lugar certo eu estava

Crédito da Imagem: Photo by Nikolas Noonan on Unsplash


Como citar esse texto: ASSIS, Laura (2020). “Adoração”. Panteão: Memorial da República Presidente Itamar Franco. [online]. Acesso em: [dia-mês-ano da consulta], n.p. Disponível em: [link do post]


Laura Assis é formada em Letras (UFJF). Em 2017, publicou seu primeiro livro: “Galáxia Particular – devaneios sobre amores raptados”.

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