a revoada de bispo do rosário

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Tarcísio Greggio

Arthur Bispo do Rosário (1911-1989) foi marinheiro, boxeador, segurança, minerador, porteiro e empregado doméstico, até que, em 1938, uma revoada de anjos anunciou que na verdade ela era o Rei dos Reis, o artífice, à mando de seu próprio Criador, da preparação do mundo para o Dia do Juízo Final.

Ele passou 50 anos na Colônia Juliano Moreira, instituição para onde era encaminhada boa parte dos “loucos”, “anormais” e demais “desviantes” da capital, e que hoje abriga o Museu Arthur Bispo do Rosário.

E foi ali, nos porões de uma psiquiatria bem mais higienista do que científica, que Bispo do Rosário parece ter reencontrado alguma coisa dos folguedos populares de sua infância em Jarapatuba, cidade sergipana famosa pela tradição dos Reisados e demais danças populares.

Com garrafas, latas, pentes, sabonetes e todo tipo de sucata de hospício, Arthur Bispo do Rosário deu forma às “vozes sagradas” da teologia que permitiu que ele arrastasse sua existência indesejável “à margem das trevas” [1].

No ano de sua morte, em 1989, o Parque Laje, no Rio, recebeu “Registros de minha passagem pela Terra”, a primeira exposição individual de Bispo do Rosário, Desde então, sua obra já apareceu, entre outros, na Bienal de Veneza, no Pompidou e no Whitney Museum.

[1] Luciana Hidalgo. Arthur Bispo do Rosário: senhor do labirinto. São Paulo: Rocco, 1996.

Crédito da imagem: Arthur Bispo do Rosário/DIVULGAÇÃO. Disponível aqui


Como citar esse texto: GREGGIO, Tarcísio (2020). “A revoada de Bispo do Rosário”. Panteão: Memorial da República Presidente Itamar Franco. [online]. Acesso em: [dia-mês-ano da consulta], n.p. Disponível em: [link do post]


Tarcísio Greggio é Diretor do Memorial da República Presidente Itamar Franco

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