A democracia brasileira: as lutas coletivas e a responsabilidade individual

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O material a seguir integra a pesquisa para a composição da exposição "Seres políticos, seres plurais"

Mesmo com as muitas mudanças e transitoriedades dentro do cenário político brasileiro, a questão da crise é uma temática constante nas discussões do país. É comum ouvirmos durante debates, conversas ou em veículos de imprensa que “o Brasil está em crise…”. Correntemente a frase é complementada com uma das esferas da sociedade: “econômica”, “educacional” ou “sanitária”. Contudo, é a esfera política que cria desdobramentos e muitas outras tensões, sejam elas de origem econômica ou social, e que acabam afetando, em especial, as camadas sociais menos favorecidas e os grupos minoritários.

Durante período compreendido entre os anos 1964 à 1985, o Brasil passou por um Governo Militar-Autoritário que agiu na reformulação das instituições políticas e no modelo econômico nacional. As grandes mudanças acarretaram num longo processo de transição democrática, que levou anos até que o poder fosse devolvido aos civis e os representantes pudessem ser eleitos pelo voto popular. Essa transição tem início por volta de 1974, quando os militares ainda comandavam o país.

Passeata icônica retoma verso de “Apesar de você”, canção de Chico Buarque, lançada em 1978. (Reprodução/Crédito desconhecido, possivelmente da Agência Estado)

No final dos anos 1960 e no começo dos anos 1970 movimentos sociais, que já se organizavam há anos em oposição ao autoritarismo do regime militar, reformularam suas estratégias. A oposição se reorganizou analisando o cenário brasileiro para que as mudanças de fato acontecessem. Após a abertura política no governo de Ernesto Geisel, os movimentos retomaram grande atividade na segunda metade da década, com destaque para o Movimento Estudantil, que levantava bandeiras na luta por liberdades e pela anistia ampla, geral e irrestrita.

Também foi grande a mobilização do movimento operário e do movimento feminista, além do surgimento de grupos como o do Movimento do Custo de Vida e o movimentos das mães de mortos e desaparecidos da ditadura. Ainda na década de 1970, há também a retomada da potência do movimento negro e a criação do Movimento Negro Unificado, em 1979.

De enorme relevância para a conjuntura política brasileira, o processo de redemocratização abarcou narrativas políticas diversas, que tiveram como pauta a defesa dos direitos civis e a liberdade. Além disso, produziram conhecimento, ampliaram reflexões, além de promoverem impactantes atos públicos, que estimularam a consciência político-social da sociedade.

Ainda que o sistema político no Brasil tenha sido, em alguns momentos, motivo de desapontamento coletivo, sua conjuntura carece de amplo e múltiplo debate, capaz de renovar percepções. Enfrentando a maior crise do século, o país urge pelo debate coletivo. A compreensão individual de que todos somos seres políticos nos proporciona uma inserção ativa e nos responsabiliza pela manutenção do regime democrático.

Texto produzido por Laura Kasemiro, bolsista de Treinamento Profissional do Memorial da República Presidente Itamar Franco sob supervisão de Mauro Gabriel Morais, coordenador de difusão cultural e educativo. Trabalho desenvolvido como atividade de pesquisa para a elaboração da exposição “Seres políticos, seres plurais”.

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