Com licença, eu vou à luta!: o movimento feminista na redemocratização do Brasil

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O material a seguir integra a pesquisa para a composição da exposição "Seres políticos, seres plurais"

Ao longo do regime ditatorial no Brasil, os movimentos sociais foram duramente reprimidos, perdendo de forma significativa a sua força, organização e seus adeptos. O movimento das mulheres, que até então havia conquistado avanços importantes, desarticulou-se em sua maioria, permanecendo apenas os grupos mais conservadores nos anos mais duros da repressão.

A partir de 1972, inicia-se um movimento significativo: grupos de reflexão compostos por mulheres começam a se reunir em caráter privado, para discutir pautas necessárias sobre a condição feminina no país. Nesse momento, com um grande vazio político devido às derrotas dos grupos que lutavam diretamente contra o regime e a repressão excessiva do governo Médici, esses grupos feministas eram pequenos e informais, mas fundamentais para a introdução de discussões relevantes para as lutas que fomentariam nos próximos anos.

Com o início da abertura política, já sob o governo do general Ernesto Geisel, vários movimentos populares começam a se reorganizar, inclusive o movimento feminista. O grupo enxerga no processo de redemocratização a oportunidade de somar-se à luta por reivindicações gerais, como o fim da ditadura e a reinauguração da democracia, e também por demandas específicas acerca da mudança da condição da mulher no Brasil.

Filme “Que bom te ver viva”, de 1989, dirigido por Lúcia Murat: obra é símbolo do movimento feminista

Nesse sentido, o ano de 1975 foi fundamental para o movimento. A Organização das Nações Unidas (ONU) define o período como o Ano Internacional da Mulher e dá abertura para a entrada definitiva das mulheres e suas pautas no meio político, surgindo, inclusive, várias atividades públicas no país – que por anos foram privadas – com o intuito de discutir questões relevantes.

Nesse mesmo momento, é criado o Movimento Feminista pela Anistia, colocado no seio da luta pela redemocratização e espalhado por todo o país. Fundamental para a campanha por uma anistia ampla e irrestrita, o movimento permanece muito próximo à luta pelo fim da ditadura no Brasil, participando também da campanha pelas eleições presidenciais diretas, com o Movimento de Mulheres pelas Diretas Já.

Pouco a pouco, novas direções se anunciam no movimento feminista: atuações que desencadearam no desenvolvimento de um feminismo acadêmico, fundamental para a pesquisa sobre a condição da mulher em âmbito nacional; a criação de vários conselhos estaduais e um Conselho Nacional dos Direitos da Mulher; o surgimento de organizações de apoio à mulher vítima de violência; e a implantação de importantes projetos voltados para a saúde da mulher. O debate feminista ganhou o público, as casas, as assembleias e contribuiu para a escrita Constituição de 1988, que registra importantes conquistas para o movimento.

Texto produzido por Tainá Oliveira, bolsista de Treinamento Profissional do Memorial da República Presidente Itamar Franco sob supervisão de Mauro Gabriel Morais, da divisão de difusão cultural e educação. Trabalho desenvolvido como atividade de pesquisa para a elaboração da exposição “Seres políticos, seres plurais”.

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