Como nos movimentamos no caos? Os movimentos sociais e a pandemia de Covid-19 no Brasil

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A pandemia de Covid-19 impôs a todos inúmeros desafios, que perpassam as lutas individuais e as coletivas. O distanciamento social, a redução de renda, o desemprego, a fome, a incerteza e a perda de pessoas que são inumeráveis, inundaram o cotidiano do mundo todo. Além do cenário social, governos extremamente despreparados e a má índole de muitos gestores formaram uma conjuntura política assustadora, com direitos violados, retrocessos imensuráveis, aumento da desigualdade, da violência doméstica, da intolerância. Diante disso, uma pergunta se faz: como nos movimentamos nesse contexto? Questão central na mesa-redonda “Como nos movimentamos? Os movimentos sociais hoje”, promovida pelo Memorial no dia 2 de setembro deste ano, o assunto foi tratado por representantes de quatro movimentos sociais, expandindo, assim, as reflexões acerca da exposição virtual e imersiva “Seres políticos, seres plurais”.

Tempos pandêmicos desafiam a sociedade e dilatam dificuldades já presentes no cotidiano de inúmeras pessoas, como uma maior privação ao acesso à educação, com o ensino remoto se fazendo imperativo; como o preocupante aumento de casos de violência doméstica durante a quarentena, uma vez que essas mulheres estão isoladas junto ao seu agressor; como o racismo estrutural ainda mais evidente, com pessoas negras sendo as mais afetadas pelo vírus; como o crescente número de desempregados, de empregos informais e de miseráveis, com milhões de brasileiros ainda mais perto da fome.

Reunião remotas, mesas de debates e seminários online, ações solidárias diretas, atos públicos, cartas de reivindicações ao governo, entre outras ações em prol da garantia de direitos básicos e da democracia, tão ameaçada nos últimos tempos, atravessam todos os movimentos sociais, afirmam Lucimara Reis (do Forum 8M), Paulo Azarias (fundador do Movimento Negro Unificado em Juiz de Fora), Ramon Almeida (da União Estadual dos Estudantes) e Virna Braga (diretora do Sindicato dos Professores de Juiz de Fora), que integraram a mesa-redonda.

Num cenário que coloca e xeque direitos tão básicos e ameaça ainda mais a democracia, os movimentos sociais despontam como essenciais. E é com suas potencialidades de mobilizações que vocalizam lutas plurais e pautas conjuntas. A exemplo disso, a mobilização “Vida, pão, vacina e educação”, que reivindica através de diferentes ações questões básicas e caras para a população, foi iniciada por movimentos estudantis e rapidamente ganhou apoio e foi endossada por outros movimentos. Já os movimentos feministas, intensificaram o apoio às mulheres através de gestos de solidariedade, de escuta ativa e de ações políticas que vão de reuniões remotas a reivindicações diretas ao Poder Público. Além de atuar fortemente nas comunidades, principalmente através de ações solidárias, o movimento negro tem impulsionado debates públicos de extrema importância acerca do racismo estrutural e de suas consequências na vida das pessoas negras. Por sua vez, as movimentações dos trabalhadores evidenciam-se principalmente na reivindicação de mais empregos para a população e de melhores condições de trabalho e renda. Juntos, defendem a vacinação ampla, a garantia dos direitos constitucionais e, principalmente, a manutenção da democracia, considerando toda a complexidade da sociedade brasileira e toda a sua pluralidade.

Texto produzido por Tainá Oliveira, bolsista de Treinamento Profissional do Memorial da República Presidente Itamar Franco sob supervisão de Mauro Gabriel Morais, da divisão de difusão cultural e educação. Trabalho desenvolvido como atividade paralela da exposição “Seres políticos, seres plurais”.

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