Memorial da República Presidente Itamar Franco
Destaque acervo

TANTAS TRAJETÓRIAS

A vida como um percurso. Nove artistas contemporâneos refletem, cada um com sua linguagem, sobre a perspectiva da trajetória, das noções mais íntimas e familiares às coletivas e universais, abordando tanto o aspecto da passagem quanto o da interdição. Às obras acompanham intervenções com referenciais poéticos, da poesia de Juiz de Fora, da literatura mundial, dos livros, dos discos e dos slams.

Artistas envolvidos: Ana Berenice, Adauto Venturi, César Brandão, Francisco Brandão, Júlia Vitral, Nina Mello, Ramon Brandão, Petrillo e Valéria Faria

Visitação: a partir de 24 de junho de 2022, de segunda a sexta-feira, das 10h às 17h

Vista geral da exposição coletiva com nove artistas de diferentes gerações e linguagens. (Fotos: Divulgação)

Vista geral da exposição coletiva com nove artistas de diferentes gerações e linguagens. (Fotos: Divulgação)


Tantas trajetórias, tantas histórias. Tantas pessoas e tantos lugares. Tantos olhares, tantos mares, tantos portos. Tantos pontos e tantos fios: um emaranhado. Não há história coletiva sem as narrativas individuais. A história oficial, transmitida e imposta de geração a geração, é uma perversidade em nome das permanências. Nela cabem os heróis e só os heróis. Nela há um corpo, uma cor e um gênero muito bem definidos. Por si só, essa narração representa a opressão, na medida em que cria parâmetros; a exclusão, já que retira de cena tudo o que não é capaz de contemplar; a violência, visto que não considera a alteridade, silenciando-a, apagando-a. Ninguém dá voz a ninguém. Existência é voz. O que falta é escuta. Qual é a sua história?

Num traçado poético, nove artistas – de diferentes gerações, com distintas técnicas, conceitos e discursos – fazem refletir sobre a vida como um traçado, singular, porém entrecruzado. Sempre haverá vestígios, assegura Valéria Faria ao reunir os sapatos do pai, como a narrar suas andanças. O que contam nossos sapatos? Por onde andaram? O que viram? E o que deixam? Retirando dos objetos toda a sua potência, Nina Mello registra fotos de família sem que apresente rostos, sem que ofereça nomes e sobrenomes. Cada retrato revela e segreda, anuncia e renuncia, grita e cala. Adauto Venturi, ao rememorar importante fragmento de sua história, também abdica da literalidade. Suas gravuras testemunham um caminho de libertação que passa, principalmente, pela certeza de que ninguém aprisiona a imaginação e o desejo. Ana Berenice, ainda em sua juventude, reafirma o vigor da criação, indicando que todo texto preserva inúmeros outros textos. Tudo é passível de um rearranjo.

A memória, defende o sociólogo francês Maurice Halbwachs, é uma enorme colcha de retalhos de histórias, pessoais e coletivas. Petrillo, com sua geografia particular, ratifica a perspectiva de trama humana, feita de encontros e desencontros, afinal, alerta Júlia Vitral, tomando um pulsante Drummond: “há uma pedra no meio do caminho”. A estrada não é retilínea, concorda Cesar Brandão com seu ready-made, evocando uma via que, ela mesma, teve várias formas no decorrer de sua existência. Nenhum nome é definitivo. Há muitas portas – e muitas trancas, e muitas chaves, e muitas frestas – , conclui Francisco Brandão, oferecendo um tanto de passagens, outro tanto de interdições. Há tantas trajetórias possíveis, confirmamos todos.

Um Memorial preserva uma ou mais trajetórias. Este Memorial conserva o percurso feito por um juiz-forano. Um político, que também era pai, filho, irmão, amigo, companheiro. Um brasileiro patriota, um mineiro apaixonado, um homem que se tornou figura pública. Somos muitos em um único corpo. E não haverá espaço capaz de nos sintetizar, porque somos complexos. Sendo assim, ao narrar o trajeto de Itamar Franco deixamos o convite para que também narre seus próprios passos. Como um fio a se desenrolar de um carretel, um memorial desfia uma vida costurando muitas outras. Um lugar de memória não pode e não deve ser um mausoléu ou um altar e tem como um de seus mais importantes papéis, retratar refletindo, sendo espelho, sendo norte, mas não destino. “Meu caminho pelo mundo eu mesmo traço”, canta Gilberto Gil, ofertando o que tão bem nos representa solidários: “Aquele abraço!”.


Obra “Nosso Senhor dos mesmos passos”, de Valéria Faria, reúne sapatos herdados do pai e abre a exposição provocando sobre as histórias que os passos testemunham e conformam.

Tantas Trajetórias

Artistas
Adauto Venturi
Ana Berenice
César Brandão
Francisco Brandão
Júlia Vitral
Nina Mello
Petrillo
Ramon Brandão
Valéria Faria

Curadoria
Mauro Morais

Assistência curatorial e pesquisa
Alice Costa
Enrico Mancini
Jasmyn Lucchesi
Juliana Barbosa
Laura Kasemiro
Luana Dias
Olímpio Silva
Vidal Pancera

Montagem
Paulo Alvarez

Identidade visual
Alexandre Amino

Realização
Universidade Federal de Juiz de Fora
Pró-reitoria de Cultura
Memorial da República Presidente Itamar Franco

Memorial da República Presidente Itamar Franco

Arquivo e Pesquisa
Kelly Herrera
Lilian Andrade

Cultura e Educação
Mauro Morais

Segurança e Conservação
Abel de Castro Evaristo
Geraldo Magela
Giani Paula de Almeida
João Fonseca
Karla Dias

Programa de Treinamento Profissional
Alice Costa
Enrico Mancini
Jasmyn Lucchesi
Júlia Torrent
Juliana Barbosa
Laura Kasemiro
Luana Dias
Olímpio Silva
Vidal Pancera

Diagramação
Alexandre Amino

Supervisão
Daniella Lisieux

Pró-reitora de Cultura
Valéria Faria

Vice-reitora
Girlene Alves da Silva

Reitor
Marcus Vinicius David

Obra “Pan em glória”, de Francisco Brandão, reúne trancas, olhos mágicos e aberturas, das quais é possível ver outras obras da mostra.

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